
ORIENTAÇÕES SOBRE COVID-19
NEONATAL E PEDIÁTRICA
COVID-19 e Transtorno do Espectro Autista
É importante ressaltar que crianças com TEA não fazem parte de população de risco para complicações e morte por COVID-19. Exceto aqueles que possuem comorbidades clínicas tais como diabetes, alterações imunológicas, ou outras doenças crônicas prévias. Entretanto, elas possuem risco aumentado de contágio, em função da hiperreatividade sensorial (exploração pelo olfato – cheirar - colocar na boca e tocar objetos).
As mudanças de rotina impostas pela quarentena, como o convívio íntimo das famílias num mesmo ambiente, que muitas vezes é restrito, pode causar sofrimento adicional às crianças com TEA. Adicionalmente a necessidade de intensificação de hábitos de higiene, que pode não ser compreendida, e a quebra na rotina das terapias poderiam corroborar com a exacerbação dos sintomas comportamentais.
Outro aspecto que pode ser impactado pelas restrições de mobilidade é o sono. Estudos epidemiológicos indicam que crianças com TEA têm alterações significativas na qualidade e organização do sono quando comparadas a crianças normotípicas pareadas por idade/sexo. Distúrbios do sono acometem em torno de 50% a 80% desta população.
Algumas recomendações são fundamentais para manter a qualidade do sono adequada em tempos de quarentena10:
• Mantenha o horário consistente de dormir e acordar;
• Diferencie atividades do dia e da noite;
• Estabeleça uma rotina de preparo ao sono evitando atividades com potencial de excitar a criança;
• Evitar telas e eletrônicos no mínimo 30 minutos antes do horário do sono;
• Evitar lanches pesados e bebidas com cafeína à noite (chá, café, achocolatados, refrigerantes);
• Considerando a capacidade de compreensão da criança evite encorajar comportamentos inadequados e barganhas na hora do sono;
• Considerando a capacidade de compreensão da criança, oferecer reforço positivo quando as metas estabelecidas para um bom sono forem cumpridas;
ORIENTAÇÕES
Tente explicar à criança o que é o COVID-19, considerando na explicação a capacidade de compreensão. Para crianças não verbais pode-se usar desenhos, ilustrações, para crianças verbais explicações mais concretas e objetivas.
Explicar regras de higiene e etiqueta respiratória explorando desenhos, ilustrações, dentro do nível de compreensão da criança.
Fazer um planejamento fixo da rotina diária dentro de casa com horários prevendo atividades diversas (refeições, descanso, brincadeiras, etc..). Dentro das possibilidades do domicílio estabelecer local diferenciado para estas atividades.
Estimule as atividades de interesse da criança livros, brinquedos especiais, jogos, filmes/vídeos. Para aqueles com funcionamento mais alto, manter dentro do possível as terapias online (na dependência da oferta dos profissionais que já trabalham com esta criança).
Para os que frequentam escola é importante manter o contato com esta e seguir as propostas de atividade que estão sendo desenvolvidas.
Mantenha contato com o seu Pediatra/Neurologista para esclarecimento de dúvidas e eventuais ajustes de medicações.