
ORIENTAÇÕES SOBRE COVID-19
NEONATAL E PEDIÁTRICA
COVID-19 EM CRIANÇA
1. Por que as crianças aparentemente apresentam quadros mais leves de COVID 19 que adultos e idosos?
A infecção pelo coronavírus deflagra as respostas de imunidade inata e da adaptiva no hospedeiro. Ainda não está definido o real papel da resposta inflamatória do organismo, além da patogenicidade do vírus, na lesão pulmonar. Os estudos até agora levantam algumas hipóteses para explicar a situação peculiar das crianças: os sistemas de imunidade celular e humoral das crianças são menos desenvolvidos, sem capacidade de resposta inflamatória exacerbada.
2. Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é inicialmente clínico e epidemiológico o que permite classificar o paciente como suspeito e iniciar a sua abordagem como tal. A COVID-19 pode apresentar-se como diferentes síndromes clínicas de gravidades variadas. As decisões terapêuticas, solicitação de exames e suporte ventilatório, são baseadas nesta avaliação.
A avaliação clínica deve ser objetiva, focando na avaliação do padrão respiratório (buscar sinais de desconforto respiratório, ausculta pulmonar, verificar saturação de oxigênio e sinais de toxemia). Recomendamos que a orofaringe das crianças seja examinada apenas se for essencial e, se for necessário este exame, o uso EPIs é obrigatório para o médico, independentemente da criança apresentar sintomas sugestivos de COVID-19. O quadro clínico da COVID-19 pode ser leve, moderado, grave ou crítico.
Quadros leves: Acometimento das vias aéreas superiores. Com sintomas inespecíficos: febre, fadiga, tosse (produtiva ou não), anorexia, mal estar, dor muscular, dor de garganta, congestão nasal ou cefaleia.
Alguns casos podem não apresentar febre e sim, sintomas gastrintestinais, como diarreia, náuseas e vômitos.
O quadro moderado é caracterizado por pneumonia sem complicações, ou seja, infecção do trato respiratório inferior sem sinais de gravidade. Há febre (mais frequente), tosse ou dificuldade respiratória e taquipneia, ainda sem hipoxemia. Alguns podem se manifestar sem sinais e sintomas clínicos de gravidade, mas apresentam tomografia computadorizada de tórax alterada com a presença de lesões pulmonares. Quando houver evolução para uma pneumonia grave com tosse ou dificuldade em respirar, além de pelo menos um dos seguintes sinais: cianose central ou SpO2 < 90% a 92%; sinais de angústia respiratória (por exemplo, grunhidos, tiragem grave); sinais sistêmicos de alerta: incapacidade de alimentar ou beber, letargia ou inconsciência ou convulsões é classificado como quadro grave.
Os quadros críticos são caracterizados por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com comprometimento comprovado da oxigenação seja avaliando-se o índice de oxigenação (IO) ou o índice de oxigenação utilizando-se a SpO2 (IOS). São ainda considerados quadros críticos aqueles que evoluem para choque, encefalopatia, lesão miocárdica e insuficiência cardíaca, distúrbios da coagulação e lesão renal aguda. As disfunções dos órgãos representam risco de morte.
3. Quais os fatores de risco para maior gravidade?
Crianças menores de 2 anos, com doenças pulmonares crônicas, como asma não controlada e fibrose cística, cardiopatia, diabetes mellitus, insuficiência renal e imunossupressão, têm maior chance de desenvolver quadro grave pelo novo coronavíurs e desenvolver síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ou deteriorização clínica.